Marrocos | Casablanca e Rabat

Casablanca

A importância de Casablanca como região portuária data desde a civilização Fenícia. Com isso, a cidade foi submetida à influência de diversas culturas ao longo dos séculos - desde os romanos, aos ingleses e aos portugueses. Diz-se que estes últimos ocuparam uma fortaleza em torno da qual criaram um povoado chamado "Casa Branca", e que a partir daí vem o nome da cidade. A presença européia tornou-se mais forte a partir de 1912, ano em que foi assinado o Tratado de Fez, que criou os protetorados Francês e o Espanhol, que permaneceram no poder até a independência do Marrocos, em 1956. Até hoje, a influência destas duas nações perduram - além do árabe, muitas escolas incluem o francês ou o espanhol no currículo. Sua história, repleta de trocas culturais, contribui para o caráter cosmopolita que Casablanca detém até hoje.

Atualmente, a região metropolitana conta com quase 7 milhões de habitantes. Como a maior parte da população é muçulmana, há muitas mesquitas pela cidade. Dessas, a mais importante é a Mesquita Hassan II, cujo nome presta homenagem ao antigo rei, falecido em 1999. A mesquita foi construída em 1994 e teve o seu projeto assinado pelo arquiteto francês Michel Pinseau. É a terceira maior mesquita do mundo, com um minarete de mais de 200 metros de altura, ficando atrás apenas das mesquitas de Mecca e de Medina. Com capacidade para 100 mil pessoas, a mesquita foi construída com a contribuição financeira do povo. Uma particularidade dessa construção é a sua torre, de planta quadrada, caraterística da arquitetura dos mouros.  Na fachada, encontramos alguns exemplares dos belíssimos azulejos mouros.

Mesquita Hassan II

Detalhes da fachada

Apesar da predominância do islamismo, há uma parcela da população que é cristã.  Com isso, encontramos também algumas igrejas em Casablanca.  Uma das mais importantes destas é a igreja Notre Dame de Lourdes, projetada pelo arquiteto Achille Dangleterre e construída 1956.  O projeto traz influências do estilo art deco, com sua composição simétrica e linhas retas. O exterior claro e austero contrasta com o interior escuro e intimista.  Dentro da igreja, uma das poucas fontes de luzes são as aberturas entre as estruturas do telhado, fechadas por lindos vitrais.

Casablanca é a maior cidade do Marrocos, considerada a sua capital comercial, econômica, e industrial.  A capital política, entretanto, é Rabat.

Rabat

Rabat é uma cidade mais nova, construída nos anos 1950, no momento da retirada dos franceses do poder. Verificamos que, em comparação com Casablanca, Rabat é uma cidade mais planejada e organizada. Sua fundação foi contemporânea às cidades-capitais de Brasília e Chandigarh (que já foram assunto aqui no blog no texto: Chandigarh e Brasília). 

Torre hassan, em rabat

Um dos principais monumentos de Rabat é a Torre Hassan, construída pelo rei Yakub Al Mansur entre 1184 e 1199. Originalmente, essa torre foi pensada para fazer parte da mesquita mais alta do mundo. O rei regente, entretanto, morreu no meio da construção e ela nunca chegou a ser concluída. Ela tem pouco mais da metade da altura original projetada.  A torre é rodeada por pilares que permaneceram da mesquita inacabada, sem peso algum para sustentar.

No mesmo recinto, encontramos ainda o mausoléu de Mohammed V, que incluí belíssimos exemplares da azulejaria moura sobre os muros.

azulejaria moura no mausoléu

Quando em Rabat, vale a pena conhecer os Jardins de Andaluzia, idealizado pelos franceses durante o período colonial. Os jardins ficam dentro do Kasbah kes Oudaias, um forte-monastério que abraça o centro histórico cidade. O Kasbah kes Oudaias fica na beira do rio Bu Regregue, no seu ponto de encontro com o mar.

Jardins de Andaluzia

Jardins de Andaluzia

encontro do mar com o rio bu regregue

Ao caminhar pelo centro histórico, por dentro do forte Kasbah kes Oudaias, deparamo-nos com um circuito labiríntico de ruelas emolduradas por casas e edifícios baixos, pintados de branco e azul.  Essa estrutura urbana, composta por vias estreitas, onde o espaço de convivência é transferido para a esfera privada, na forma de pátios internos nas residências, é característica do urbanismo islâmico. De certa forma, é como se a cidade fosse projetada do interior para o posterior. Essa diferenciação entre o dentro e o fora demarca claramente o espaço público (predominantemente masculino) e o privado (reservado à família e às mulheres).

centro histórico - circuito labiríntico de casas pintadas de azul e branco